16 de fev. de 2006

O SEGREDO DA MONTANHA DAS COSTAS QUEBRADAS


Hoje eu senti uma ferroada que me doeu muito. Fisgou, como uma pancada no lugar determinado do peito. Uma pulsada mais forte ao ver e ler determinadas coisas pela minha janela eletrônica, que procuro sempre ver a verdade. Mesmo sabendo que a verdade é cruel, sempre.
Ver o amor e não poder ter, é uma das piores maldades que Deus, se é que ele existe, poderia ter inventado e colocado na face da terra. E como dizia Clarice, enquanto você inventar Deus, ele não existe.
Causa uma inveja, uma revolta, faz o corpo ficar sem ação, disforme, amebóide e anômalo. Frustra e nos deixa completamente sem graça, sem vontade de estar aqui. O ser transforma-se em sem. E o vácuo aumenta sempre que você, se é uma pessoa visual, vê qualquer cena de amor, até entre cães.
Será que existe amor na montanha de costas quebradas, com tudo perfeito e com belas pessoas num cenário bucólico? Não sei. Sei que quero voltar aqui nesse post, logo após ter alguma emoção, que é o que espero ter, e que todos me prometeram, só pra constatar que meu coração ainda é de carne e sangue, ainda quero ver se ele não endureceu.
Como sou muito visual, até a pouca informação das fotos do site me deixaram extremamente triste, e até acho que a historia é um lugar comum. Clichê. Mas darei esse voto de confiança a esse diretor que desconheço. Meus amigos que já assistiram me desseram que é imperdível e já agendei para domingo próximo essa sessão de cinema.

Hoje foi extremamente rápida a iniciação do windows no meu velho pc. O Deus que inventei, realmente funciona. Imaginei o como se Ele fosse uma luz que se projeta através de um fio, um feixe luminoso ligado ao meu plexo solar, o alto da minha cabeça. Depois desenvolvi a idéia e percebi que essa luz emana do centro de nossas cabeças animais, que é o que mais faz sentido.
Acho que pela primeira vez na vida tive um pouco de fé, talvez pelo estado frágil que me encontro nesse momento, e pela necessidade de expurgar esse sentimento que fervilha lentamente, deixando minhas víceras reviradas e ardidas.
Ao chegarmos no cinema, sentamo-nos e ficamos conversando um pouco comendo doces comprados em loja de luxo, onde crianças escuras jamais teriam condições de chegar perto.
Enfim começa a exibição. Na tela grande são exibidas belas paisagens de algum lugar que desconheço da América do Norte, acho que para os lados do Texas, pois a trama se desenvolve em meio a belas paisagens verdejantes, na verdade um ambiente temperado por chuvas de granizo, e sois cáusticos.
É a historia de uma dupla de cowboys que a partir de um momento de suas vidas, começam a trabalhar no mesmo pasto, e se descobrem loucamente apaixonados um pelo outro.
Em meio à beleza estupidamente perfeita de ares bucólicos, se desenvolve uma história extremante triste, onde os vaqueiros com toda repressão social e interna, vivem uma tórrida e sensual história de paixão. Passam-se anos e anos de suas vidas tentando acertar suas emoções conturbadas, cada um no seu lado medíocre da vida que desenvolveram para si. É obvio que teria que ter um final terrivelmente dramático, pois a falta de aceitação sexual de um deles afasta melodramaticamente a possibilidade de uma união afetiva.
Fiquei de voltar aqui e postar no blog minha opinião sobre o filme, que talvez não tenha ido no momento certo, talvez o filme seja realmente mau escrito, não sei. O que aconteceu realmente foi ter uma decepção, coisa que não esperava ter de um filme, mas que realmente mexeu com meus conteúdos. Ao sair da sala de exibição percebi em mim uma tristeza que luto diariamente para não ter.

Hoje, um dia após o filme, e depois de fazer dois posts reunidos neste, para poder posta-lo de uma só vez, tive a consciência do que realmente está acontecendo comigo, e minhas reais conclusões sobre o filme.
História trágica, mas que não poderia acontecer diferente. Ennis Del Mar, o personagem que de primeira impressão transparecia ser “mau resolvido” sexualmente e emocionalmente, teve intuitivamente o segredo da longividade da sua linda relação amorosa que dura 20 anos. Os encontros espaçados fizeram com que o casal não matasse a paixão com a convivência, coisa que acontece com qualquer tipo de casal. Já o Jack Twist, com toda sua ansiedade e paixão desmesurada, mas ao mesmo tempo coberto de razão, pois quando se ama, se quer mais é estar junto dessa pessoa, perde o rumo das suas emoções. A carência faz com que ele busque em outras pessoas, o que ele apenas queria de Ennis. Mas pelo que senti, o amor acabou se transormando em câncer, ambos fizeram com que seu amor se transformasse em doença, algo que cresce dentro de nós e que se não soubermos lidar, nos mata.

Continua......

Os mil significados de um fora

Estava no trabalho ainda terminando uma lâmina de apresentação quando o telefone toca. Ficou feliz e surpreso pois sabia de quem se tratava....