O sem palavras
Por muitas vezes não sei o que falar. O que tento é apenas expressar nesse blog o mais puro sentimento em relação aos que me cercam. Vejo o que sinto, processo e mais uma vez, a vida me deixa sem palavras.
7 de abr. de 2026
Os mil significados de um fora
O Sétimo dia.
Bem, andei contando os minutos depois que soube da morte do meu Anjo. Ninguém em sã consciência quer sofrer pelas perdas e essa balela religiosa de alívio é conversa pra boi dormir. Continuo tentando fazer e levar minha vida como se ele nao tivesse aparecido com seus olhos verdes em minha vida. MAS NAO DÁ. Continuo com meus pensamentos nos momentos bons que tivemos juntos, no amor que fizemos, no companheirismo que tinhamos. Todos os pensamentos, bons ou ruins, todos doem sem pena.
Hoje eu marquei uma sessão de terapia. Saber se estou louco não é meu objetivo principal, pois isso já é público e notório. Talvez seja melhor dar uma lubrificada nos meus processos terapêuticos, para moldar minha mascara, e poder voltar a convivência humana, pois essa não to conseguindo fazer com a maestria de sempre.
Paula e Hichter.
Hichter era sempre traído pelo desejo que sentia. Ao acordar, nao pensava mais em sua bela esposa de longos cabelos vermelhos, e sim na morena desconhecida frequentadora do bar. Paula. Nos momentos de lucidez, durante seu dia atarefado, tentava com ardor tirar de alguma forma o pensamento em Paula. Ao desocupar por cinco minutos, rapidamente arrumava algo pra fazer e ocupar sua mente fertil. Era uma fertilidade mental despudorada, lasciva. Transformava sua energia de quarentão em broto adolescente, chegando a ter poluções noturnas. Sua esposa, doce e atenciosa, também nao sentia tanto desejo assim pelo marido, embora o amasse. Pois depois de 20 anos de um casamento perfeito, era completamente comum dar uma puladinha de cerca com o jardineiro.
Sem Palavras
Mas essa história não começa assim. Hermano Luchezzi tinha um sonho até bastante comum. Na época em que ainda não estava se relacionando com Flávio, morava em São Paulo, e tinha uma vida como todo paulistano saído das entranhas quentes do nordeste. Era formado em Ciência da Computação e trabalhava sol a sol como uma maquina de programar. Tudo que tinha, conseguira sozinho, pois desde os 16 anos de idade tinha como objetivo, melhorar sua situação mais do que ruim. Logo que chegou a Paulicéia desvairada, vivia num lugar onde tinha que diariamente lavar todo o espaço com querosene, para que as pulgas não o comessem vivo. E assim se seguiram os dias.
Estudou bastante e trabalhou como louco. Progrediu na cidade grande, se formou e gradativamente galgou suas coisas com muito esforço. Conseguiu comprar seu apartamento no centro de São Paulo e tinha sua vidinha de pizza nos finais de semana e sexo sem emoção.
Tinha como escape, algo que não posso descrever como uma forma saudável de distração. Maninho era como a Macabéa, uma personagem de Clarice Lispéctor, só que no caso de Mano, deu certo na cidade grande. Tinha milhares de coisas, mas não era feliz. Periodicamente saia com garotos de programa que lhe satisfaziam sexualmente. Como tudo pode acontecer, inclusive a coisa ruim da vida, ele deixou com que acontecesse, por três vezes, o acidente com o látex e com a brutalidade do sexo. Pois foram as três vezes, que esse que vos fala não sabe precisamente como e quando aconteceram, mas aconteceram. Cansado com o estress da cidade e por conta da aceitação da universidade onde estudava, voltou para Recife para começar o seu mestrado.
Exatamente um ano depois da chegada na cidade conheceu Augusto. Se conheceram pela internet, num desses sites de relacionamento. Entravam sempre em contato pelo msn, sempre se falando carinhosamente, atentamente. Eram mentes que se afinavam através de uma rede infinita.
Augusto, um cara simples que tem vida sacrificada e estressada, também tinha o sonho de encontrar um amor. Tinha jornada tripla de trabalho e à noite fazia sua faculdade de Ciência da Computação que pagava sozinho com seu salário minguado.
Mano, ludicamente relatava pra Augusto que no natal de 2007, fez um pedido pra Papai Noel. Pediu-lhe um amor. Foi quando Augusto foi embrulhado para presente cósmico, e DEUS fez com que se cruzassem. Sua inocência pisada e sua miséria particular, não o deixaram ver o mau que carregava em si. Seu processo de aceitação nunca fora trabalhado. Sua racionalidade virginiana fora piorada pela educação sertaneja. Ele tinha vergonha de viver plenamente sua vida, sua sexualidade. Vivia escondido de si mesmo. Se escondera até do que portava.
Primeiros Passos
Ainda estou bem no começo. Estou me sentindo como a menina do conto “Felicidade Clandestina”, sem a sardenta maligna da história. E sim com a felicidade em que a menina loira e achatada foi pra casa assim que estava com o livro na mão (As reinações de Narizinho – Monteiro Lobato). A loirinha descreve sua felicidade, o quanto estava regrando o prazer de ler o livro para que a felicidade durasse. Às vezes lia apenas uma frase para economizar, escondia para ter o prazer de acha-lo. Lindo conto.
Não comecei também porque tenho tido uma vida boêmia muito intensa. Ontem ao pegar o livro, tive um pequeno encontro com amigos. Estávamos eu, Rickye e Bosco. Tivemos conversas sobre vários assuntos, regados por cerveja, mas eu, como estou de dieta rígida, estava bebendo Wisky.
Interessante para mim é como estou mudando alguns hábitos antigos. Sempre fui chegada a cerveja mas para não ficar gordo, passei a beber o wisky, e só estou sentindo as vantagens dessa bebida, já que gosto e me solto mais socialmente.
Sei que hoje terei que ir a casa da Grace após meu horário de trabalho.
CORRER...FICAR
Agora os fluidos não têm o direito de fluir como antes. Perderam seu estatus. Esses que precisam fluir agora esbarram em barreiras de latex, que as vezes são texturizadas, outras, coloridas, outras são barreiras insípidas. São eficientes ao cuidar do amor, desempenham sua função.
E no rumo da história da humanidade, aparece como necessidade básica, a colocação, a inclusão de tal borracha na relação sexual, que como uma segunda pele, nos protege da exposição as doenças.
Contrapontos, Deus e a camisinha, mandam no pedaço, protegendo e expondo os seres que habitam no planeta.
Os mil significados de um fora
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