O buraco negro chamado bRaziu.
Tenho a leve impressão que estou diminuindo. Abri a geladeira agora, uma geladeira comum, como a de qualquer casa, mas percebi menos comida. Os potinhos onde tínhamos as sobras de almoço não estão mais lá. Percebi também que os potinhos que armazenam a carne da semana estão menos cheios. Então pensei, acho que estou secando. A vida, por mais que fazemos pra crescer, nos faz diminuir, encolher.
Achava que tudo na vida era pra o crescimento, mas acredito que depois dos 40, se você não tiver cuidados tipo, um emprego, alguém pra incomodar, essas coisas do dia a dia, você acaba se sentindo sozinho, mas quando, além de não ter essas coisas e pessoas que te rodeiam, acabamos meio loucos sem precisar de aditivos, com a sensação de ter diminuído.
Achava que tudo na vida era pra o crescimento, mas acredito que depois dos 40, se você não tiver cuidados tipo, um emprego, alguém pra incomodar, essas coisas do dia a dia, você acaba se sentindo sozinho, mas quando, além de não ter essas coisas e pessoas que te rodeiam, acabamos meio loucos sem precisar de aditivos, com a sensação de ter diminuído.
Pior ainda quando temos um governo opressor, que cada vez mais aprova decretos onde o povo diminui, é hora de pensar que na verdade o pobre brasileiro mora num grande ralo, um grande buraco negro onde ninguém sai do horizonte de eventos, cada vez mais engolido, durante toda a existência. Engolido pelo trabalho, pelo patrão desonesto, pelo presidente emburrecido, pelo ministro homofóbico, pelos pacotes de fome.
O pior é se sentir impotente nesse buraco, por mais que se trabalhe, por mais que estude e se esforce, por mais que você nade contra a corrente esquecendo que tá num buraco negro, esquece também que nunca vai sair.
Fiquei pensando se existe algum lugar nesse mundo que as pessoas cresçam pelo esforço do trabalho. Será que estou sonhando o sonho americano? Será que isso existe? Fiquei imaginando, será que a Europa é assim? Estou acreditando que nem mesmo os americanos têm esse sonho. O padrão de pensamento geral diminuiu, gerando uma banalização do humano, supervalorizando o material. Isso é perceptível nos jornais, nas ruas. Parece que a dignidade virou artigo de luxo, está em falta no mercado. O mundo é do dinheiro e você é uma cachorra, que diminui e se diminui.
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