20 de fev. de 2006

O CAOS FANTASIADO DE FESTA

Semana pré carnavalesca. As ruas de Olinda nessa época do ano ficam cheias. As pedras pulam com as pessoas. Uns mascarados de verdade, outros com seus próprios rostos que mais pareciam mascaras, uns nus. A Rua 13 de maio transforma-se em gueto, os odores de drogas, urina e suor são os perfumes mais cotados. Beijos escandalosos tornam se comuns dados nas calçadas altas onde os transeuntes se chocam ao prestarem atenção na cena. As mais diversas pessoas de olhar bêbado e triste se entreolham numa procura incessante dos desejos insaciáveis. A diversidade de interesses me diverte ao contrario. Uns te olham com desejo, outros olham seu namorado, alguns olham sua carteira e existem até os que estão de olho no teu copo de bebida e seu cigarro, que pode ter certeza já não é mais seu.
Parei um pouco para observar de uma certa distancia, sai da multidão. Por volta de dez metros afastado, paro numa vendedora de rua que vende cerveja. Um dos primeiros assuntos puxados por ela foi ter se individado com um agióta, e ela tem que verder bastante para se safar. Ela vomitava sua miséria e sua vida ali pra mim sem pudor algum, como se eu tivesse algo relacionado a isso ou até já estava sendo tratado como amigo intimo. Vomito longo e de grande volume vocal, chamando atenção dos que estão ao redor e por um átimo de segundo consigo alguém pra se intrometer no que eu escutava e demonstrava atenção. Uma mulher bêbada e fantasiada de bruxa desprende-se de seu grupo de amigos e volta a sua atenção pra gorda dona do isopor, perguntando lhe o que é que realmente eu tinha perguntado, pois a vendedora começara a falar de sua vida pessoal, e a intrometida virou a atenção justamente na hora em que a outra estava falando-me sobre a época em que era jovem, e que freqüentava prostíbulos para se divertir.
Vi armada toda a arapuca do destino para ver minha miséria. As vezes acho que o destino se compara a um punhado de titica de galinha. Quando falo que to cansado não é de tanto estress de trabalho, nem reclamando das dores migratórias no meu corpo, nem de desilusão afetiva, nem de decepção com amigos. É que quando vejo a miséria humana, a pobreza, a degradação, a falta de respeito desnecessário, a vontade de ver o outro cair, me choco e acabo querendo ficar por esse plano o menos possível.
Uma época de festividade como o carnaval, quando cada um expressa o mais profundo eu e sem nenhuma vergonha mostra sua miséria singular, pediria a meu Deus que não me deixasse passar por essas ruas no momento em que acontece. Mas os espíritos ancestrais tomam conta dos que pouco tem personalidade e se realizam com os corpos alheios de pessoas despreparadas e sem personalidade formada. São espíritos que já zombaram de mim antes e continuam fazendo seu trabalho maléfico nas ruas nuas do carnaval.
No carnaval, o caos se fantasia de festa.!!!!!

2 comentários:

Anônimo disse...

OLA, MEU CARNAVAL FOI MUITOOOO TRANQUILO, DORMI MUITO MESMO!!!!

Unknown disse...

Amigoooooooooooooooooooooooo!!! vim conhecer o teu blog!!! Cara, você escreve muito bem, adorei teus textos!!!!!! continua assim! beijos!

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