Quarta de Cinzas. Ainda existe carnaval nas ruas de Recife e Olinda. Para ele, pode se dizer que foi calmo embora tenha visto várias cenas degradantes de assaltos a mão armada, brigas de pessoas embriagadas, atos de heroísmo bêbado. Coisa que o fazia na sua idade, começar a ter medo do mundo.
Uma das mais impressionantes aconteceu na velha rua 13 de maio em Olinda. Lugar onde se transforma em gueto, e muitos homossexuais de todas as partes do Brasil, e até mesmo do mundo, se encontram para a comemoração dessa festa sem sentido. Comemorando a luxuria, a violência desatada e a promiscuidade insana. Não sei. Pelo que observei, nosso amigo idoso estava contemplativo e na companhia de outro amigo mais jovem, que já este, contemplava e desejava homens.
Observara nos dias anteriores como a malandragem se multiplica nessa época do ano e é sempre criativa. A ultima modalidade de furto inventada para usurpar as pessoas era simular brigas perto das vítimas, e se aproveitar do susto para que seus comparsas colocassem a mão nos bolsos alheios e lhe levasse algum dinheiro ou celular.
Ele, perdido em seus pensamentos e pernas cansadas, mas insistentes, olhava sem nenhum interesse especial as pessoas paradas ao seu redor e transeuntes fantasiados, mas olhava sem empolgação por aquilo tudo. Fora para o mesmo lugar de sempre, pois já tinha tido belas lembranças daquelas casas e de carnavais anteriores e, por alguma necessidade de resgate ao passado, voltara, mas agora completamente cético, amargo e solitário. A beleza já não era a mesma com o passar dos anos. Nem a da festa, nem a sua, pois já fora alto e bonito. Hoje, magro e escuro, quase de ossos a mostra da camisa, insistia ter ainda alguma esperança de encontro com outro homem, embora tivesse plena consciência que dificilmente isso poderia acontecer, pois hoje em dia o grau de exigência das pessoas bem diferente de quando era jovem, assim como o seu mesmo e achava que nenhum jovem, que era o que gostava, iria olhar para um senhor, ainda mais se achando caquético, que não era. Sua pele ficara escura pelos anos de cerveja que embebia seu organismo, agora frágil. Seus pensamentos ficaram de uma sagacidade bêbada. Ele reabastecia sua quota alcoólica diariamente e em qualquer lugar, como se tivesse usando uma droga, que é.
Uma das mais impressionantes aconteceu na velha rua 13 de maio em Olinda. Lugar onde se transforma em gueto, e muitos homossexuais de todas as partes do Brasil, e até mesmo do mundo, se encontram para a comemoração dessa festa sem sentido. Comemorando a luxuria, a violência desatada e a promiscuidade insana. Não sei. Pelo que observei, nosso amigo idoso estava contemplativo e na companhia de outro amigo mais jovem, que já este, contemplava e desejava homens.
Observara nos dias anteriores como a malandragem se multiplica nessa época do ano e é sempre criativa. A ultima modalidade de furto inventada para usurpar as pessoas era simular brigas perto das vítimas, e se aproveitar do susto para que seus comparsas colocassem a mão nos bolsos alheios e lhe levasse algum dinheiro ou celular.
Ele, perdido em seus pensamentos e pernas cansadas, mas insistentes, olhava sem nenhum interesse especial as pessoas paradas ao seu redor e transeuntes fantasiados, mas olhava sem empolgação por aquilo tudo. Fora para o mesmo lugar de sempre, pois já tinha tido belas lembranças daquelas casas e de carnavais anteriores e, por alguma necessidade de resgate ao passado, voltara, mas agora completamente cético, amargo e solitário. A beleza já não era a mesma com o passar dos anos. Nem a da festa, nem a sua, pois já fora alto e bonito. Hoje, magro e escuro, quase de ossos a mostra da camisa, insistia ter ainda alguma esperança de encontro com outro homem, embora tivesse plena consciência que dificilmente isso poderia acontecer, pois hoje em dia o grau de exigência das pessoas bem diferente de quando era jovem, assim como o seu mesmo e achava que nenhum jovem, que era o que gostava, iria olhar para um senhor, ainda mais se achando caquético, que não era. Sua pele ficara escura pelos anos de cerveja que embebia seu organismo, agora frágil. Seus pensamentos ficaram de uma sagacidade bêbada. Ele reabastecia sua quota alcoólica diariamente e em qualquer lugar, como se tivesse usando uma droga, que é.
Quando tomava suas milhares de conclusões solitárias, com os neurônios embevecidos, teve seus pensamentos ceifados por um grito de extrema agressividade. A atenção que tal grito chamara, fez com que toda a redondeza voltasse a atenção para tal lugar de onde se originara e que logo se transformou em tumulto. Teve sua cerveja derramada na camisa nova e branca sendo empurrado pelas pessoas ao redor, assim tendo amassando copo plastico barato na roupa bonita. Ainda bem que não estava fumando nesse momento, pois certamente poderia encostar a ponta do cigarro em alguém, e acarretar outra balburdia com outra pessoa bêbada. E isso ele jamais admitiria que acontecesse.
Ouve-se em alto e bom som: “-Você colocou a mão no meu bolso, porra?” Confirmação de que a confusão estava realmente formada e logo depois escuta se apenas batidas ocas que o ser escuro e monstruoso levava do homem branco forte e alto. O “herói” não hesitou em espancar o facínora e se Deus realmente existe, escutou as pancadas no hiperespaço em alto e bom som.
Todos os que estavam lá, ficaram com os olhos e sentimentos perplexos. Logicamente ninguém iria se intrometer naquela briga. Mas o que deixou o senhor elegante e rubro, agora pálido, foi a atitude dos espectadores, que imediatamente após a ação do justiceiro, aplaudiram-no. E o rapaz, na atitude de macho vencedor, serrou as mãos e punhos, levantando-os acima da cabeça recebendo ao redor seu aplauso, como um lutador grego em sua arena, na atitude de quem tinha acabado de vencer a fera. Foi ovacionado com palmas, gritos e assobios, e recebeu-os com grande orgulho.
Um dos barraqueiros que vendia cerveja ainda grita para o tal rapaz vencedor: “- Vá trocar a camisa porque esse cara vai pegar a galera pra se vingar...”
Ouve-se em alto e bom som: “-Você colocou a mão no meu bolso, porra?” Confirmação de que a confusão estava realmente formada e logo depois escuta se apenas batidas ocas que o ser escuro e monstruoso levava do homem branco forte e alto. O “herói” não hesitou em espancar o facínora e se Deus realmente existe, escutou as pancadas no hiperespaço em alto e bom som.
Todos os que estavam lá, ficaram com os olhos e sentimentos perplexos. Logicamente ninguém iria se intrometer naquela briga. Mas o que deixou o senhor elegante e rubro, agora pálido, foi a atitude dos espectadores, que imediatamente após a ação do justiceiro, aplaudiram-no. E o rapaz, na atitude de macho vencedor, serrou as mãos e punhos, levantando-os acima da cabeça recebendo ao redor seu aplauso, como um lutador grego em sua arena, na atitude de quem tinha acabado de vencer a fera. Foi ovacionado com palmas, gritos e assobios, e recebeu-os com grande orgulho.
Um dos barraqueiros que vendia cerveja ainda grita para o tal rapaz vencedor: “- Vá trocar a camisa porque esse cara vai pegar a galera pra se vingar...”
Voltou aos seus pensamentos, agora, todo molhado de cerveja, não conseguiu, perplexo, ter reação alguma a cena de violência que tinha acabado de presenciar. Bateu a camisa para ver se melhorava um pouco sua pequena miséria e virou-se para o vendedor para pedir outra. Foi quando sentiu em seu ombro um tapinha amistoso de alguém que lhe perguntava se tinha fogo. Logicamente ele não esperava ter paz no meio daquela multidão e também achou que poderia ser um velho conhecido que vira há poucos minutos e esperou um pouco, antes de se virar, até pegar seu troco. Ainda com as mão ocupadas com a bebida e copos novos, virou-se para seu jovem amigo e passou-lhe as coisas. Observou que não conhecera tal pessoa, meteu a mão no bolso, tirou o isqueiro e acendeu o cigarro torto e aparentemente barato de quem batera em seu ombro. Percebeu a bebedeira desse outro ser velho, mas muito mais degradado que ele. Logo após acender o cigarro, tomou de volta seu copo já servido do liquido dourado e começa a beber em pequenos goles, como sempre fazia. O transeunte que pedira fogo, do jeito que pediu o fogo, continuou com seu olhar bêbado, fitando o outro senhor, com olhos semicerrados de prostituta em ataque. Tinha olhos claros, mas com uma tênue camada de branco. E sorria, usando apenas a metade dos dentes que lhe restara.
Percebendo o flerte, simula com o amigo ao lado, alguma outra conversa para tentar despistar a atenção do velho prostituta. Mas sua tentativa sem êxito fazia-o mais atraente ainda aos olhos do outro, quando aconteceu do velho velha, pois parecia que alguma vez na vida da pele cansada , já ter sido agredida por si mesmo tentando transformar seu corpo em mulher. O velho velha, tenta jogar o corpo embriagado, e derramando mais cerveja no senhor ensopado, numa tentativa frustrada de beijo roubado. Empurrou gentilmente o velho velha para o seu prumo e pediu ao amigo que fossem embora dali, pois o espelho que estava se refletindo, não o agradava nem um pouco. Desistiu da cerveja paga e continuou contemplativo enquanto se caminhavam para outro local. Voltou seus pensamentos para época em que era jovem. Voltou as coisas que estudara, começou a relembrar suas aulas de física, lembrando-se das leis do caos e do cosmo, que lhe doía a cabeça grisalha, e de como tudo estava se encaminhando para o caos. Tudo aquilo que estava ao seu redor, estava se acabando, escravo do tempo e das energias ruins. Lembrou do amor que tivera na juventude e de como fora bonito vivê-lo, mesmo sendo um amor escondido. Lembrou dos olhares que costumava levar por admiração a sua beleza que não possuía mais e começou a chorar. Engolia com voracidade o pigarro e a dor que se intalara na garganta. Tentou fazer descer tudo da goela com um grande gole de cerveja que ainda restara no copo, e foi empurrado na rua lotada.
Jovens, muitos jovens nas ruas e ele, velho.
Não conseguia mais orar, pois já não tinha fé em nada. Então parou, deixou-se perder do amigo que continuou andando e achando que estava seguindo-o, olhou de lado e observou que bem perto dele, havia um grupo de rapazes que estavam se drogando. Já sem muita vontade de estar ali, já sentindo tudo sem sentido, abordou os quatro homens com cara de marginais e pediu-lhes, um grande favor. Pois não era corajoso o bastante!
Percebendo o flerte, simula com o amigo ao lado, alguma outra conversa para tentar despistar a atenção do velho prostituta. Mas sua tentativa sem êxito fazia-o mais atraente ainda aos olhos do outro, quando aconteceu do velho velha, pois parecia que alguma vez na vida da pele cansada , já ter sido agredida por si mesmo tentando transformar seu corpo em mulher. O velho velha, tenta jogar o corpo embriagado, e derramando mais cerveja no senhor ensopado, numa tentativa frustrada de beijo roubado. Empurrou gentilmente o velho velha para o seu prumo e pediu ao amigo que fossem embora dali, pois o espelho que estava se refletindo, não o agradava nem um pouco. Desistiu da cerveja paga e continuou contemplativo enquanto se caminhavam para outro local. Voltou seus pensamentos para época em que era jovem. Voltou as coisas que estudara, começou a relembrar suas aulas de física, lembrando-se das leis do caos e do cosmo, que lhe doía a cabeça grisalha, e de como tudo estava se encaminhando para o caos. Tudo aquilo que estava ao seu redor, estava se acabando, escravo do tempo e das energias ruins. Lembrou do amor que tivera na juventude e de como fora bonito vivê-lo, mesmo sendo um amor escondido. Lembrou dos olhares que costumava levar por admiração a sua beleza que não possuía mais e começou a chorar. Engolia com voracidade o pigarro e a dor que se intalara na garganta. Tentou fazer descer tudo da goela com um grande gole de cerveja que ainda restara no copo, e foi empurrado na rua lotada.
Jovens, muitos jovens nas ruas e ele, velho.
Não conseguia mais orar, pois já não tinha fé em nada. Então parou, deixou-se perder do amigo que continuou andando e achando que estava seguindo-o, olhou de lado e observou que bem perto dele, havia um grupo de rapazes que estavam se drogando. Já sem muita vontade de estar ali, já sentindo tudo sem sentido, abordou os quatro homens com cara de marginais e pediu-lhes, um grande favor. Pois não era corajoso o bastante!