Ao deitar, teve a sensação de morte perto dele. Tinha passado o dia anterior desde muito cedo, bebendo com os amigos no aniversário de uma pessoa aparentemente amiga. Victor parecia ter um estomago de aço. Desde a hora que chegou na festa, por insistência das amigas tinha começado os “trabalhos” que é como a turma se referia a começar a beber. No almoço de aniversario foram quase todos os amigos, quase todos com seus respectivos cônjuges a tira colo.
Era um desejo antigo. Desde cedo, quando era bem jovem, sempre tivera o sonho de ter um parceiro. Chegou a conhecer ainda bastante jovem e menor de idade, um homem com quem passou com este quatro anos de sua vida. Coincidentemente se separaram no mesma data, mas quatro anos depois. No reveillon. Neste mesmo período iniciou um processo terapêutico por conta de drogas e excesso de amor pelo parceiro e falta de amor próprio. Sua possessividade sufocava o outro e a si mesmo e não tinha a consciência disso. Tudo que falava e sentia ainda era natural e puro, era o que aprendera com a mãe dentro de casa, ou pelas lições mal estudadas dos amores de novela.
Era um desejo antigo. Desde cedo, quando era bem jovem, sempre tivera o sonho de ter um parceiro. Chegou a conhecer ainda bastante jovem e menor de idade, um homem com quem passou com este quatro anos de sua vida. Coincidentemente se separaram no mesma data, mas quatro anos depois. No reveillon. Neste mesmo período iniciou um processo terapêutico por conta de drogas e excesso de amor pelo parceiro e falta de amor próprio. Sua possessividade sufocava o outro e a si mesmo e não tinha a consciência disso. Tudo que falava e sentia ainda era natural e puro, era o que aprendera com a mãe dentro de casa, ou pelas lições mal estudadas dos amores de novela.
Mesmo a terapia e o esforço do casal, não puderam salvar o relacionamento que todos tinham admiração, inveja e cobiçavam cada um deles. Era inevitável depois de quatro anos passados, fazer com que Victor e seu parceiro continuassem juntos, pois ambas as cabeças evoluíram por caminhos diferentes.
Ainda chegou a conhecer mais duas pessoas ao longo da sua vida, de quem gostou bastante. Mas que por ironia do destino eram exatamente as pessoas que menos gostaram dele. Amargo, começara agora a ter um tipo estranho de relacionamento para ele, para com as pessoas. Não queria mais se relacionar afetivamente com ninguém. Aparentemente normal, ficava com homens, todas as vezes que saia para se divertir. Passou durante muito tempo numa roleta russa de sexo e bebidas. E exatamente nessa época começa a ter um comportamento mais solitário e mais doloroso, mudando assim, sua vontade de ingerir álcool.
Enquanto o tempo passava ele cada vez bebia mais. Bebia ao ponto de mesmo ainda aparentemente jovem, mudar de cor pela ingestão de quantidades excessivas de cerveja, chegou a ficar conhecido como o "louco", embora não se importasse com rótulos. Ninguém queria mais ficar com ele. Na noite de um dos Reveillons, conheceu alguém especial. Foi inesperado e bobo. Conheceu enquanto ia pra um dos lugares mais mal freqüentados da cidade, lugar onde a maior parte das pessoas é de classe baixa ou sem classe alguma. Na verdade Victor nao estava indo pra esse lugar. Encontrou por acaso no ônibus dois conhecidos de farra e se apaixonou por um deles. Ficou tão bêbado enquanto conversava com os rapazes que tinha acabado de conhecer, que se sentiu mau, quis sair do local, e assim que passou pelo primeiro degrau da escadaria de saída, levou uma queda machucando se todo, aumentando ainda mais a vergonha de ter ido para aquele lugar. Isso foi apenas o início de uma série de degradações.
Victor foi deitar-se cedo. Logo após a visita de duas de suas amigas que se acharam na obrigação de contar-lhe o que tinha feito no dia anterior, diante das pessoas da festa e do bar que insistentemente quis ir após a festa.
As garotas não tiveram piedade. Enquanto falavam pra ele o que tinha aprontado bêbado, ele tinha duas reações inesperadas. Uma era rir, e seguidamente uma crise de choro. Não sabia mais o que fazer, se rir ou chorar, pois ao mesmo tempo que se achava patético com suas atitudes diante dos outros, achava engraçado o que tinha aprontado. Mas a partir do momento em que passou a insultar as pessoas, não achou mais nenhuma graça. As garotas falaram que ele dizia palavrões em alto e bom som, insultava as pessoas, batia na mesa e as agredia também.
Depois de ter tomado consciência do que tinha feito, não conseguiu mais rir, chorou copiosamente diante das suas amigas e começou a sentir um mal estar como nunca tivera sentido antes em sua vida. Pediu para ir embora e foi.
Quando chegou em seu quarto, foi logo pra cama. Tinha um espelho portátil no criado mudo ao lado. Pertencia a sua mãe. Pegou o espelho e se olhou durante horas. Deixou o espelho aberto, em posição de reflexo para ele mesmo, na mesma altura dos olhos. Via descer uma lagrima quase pulando do olho que estava acima do nariz em posição horizontal. Escutava musica calma e romântica, que o deixava inquieto por dentro e paralisado por fora.
Ainda chegou a conhecer mais duas pessoas ao longo da sua vida, de quem gostou bastante. Mas que por ironia do destino eram exatamente as pessoas que menos gostaram dele. Amargo, começara agora a ter um tipo estranho de relacionamento para ele, para com as pessoas. Não queria mais se relacionar afetivamente com ninguém. Aparentemente normal, ficava com homens, todas as vezes que saia para se divertir. Passou durante muito tempo numa roleta russa de sexo e bebidas. E exatamente nessa época começa a ter um comportamento mais solitário e mais doloroso, mudando assim, sua vontade de ingerir álcool.
Enquanto o tempo passava ele cada vez bebia mais. Bebia ao ponto de mesmo ainda aparentemente jovem, mudar de cor pela ingestão de quantidades excessivas de cerveja, chegou a ficar conhecido como o "louco", embora não se importasse com rótulos. Ninguém queria mais ficar com ele. Na noite de um dos Reveillons, conheceu alguém especial. Foi inesperado e bobo. Conheceu enquanto ia pra um dos lugares mais mal freqüentados da cidade, lugar onde a maior parte das pessoas é de classe baixa ou sem classe alguma. Na verdade Victor nao estava indo pra esse lugar. Encontrou por acaso no ônibus dois conhecidos de farra e se apaixonou por um deles. Ficou tão bêbado enquanto conversava com os rapazes que tinha acabado de conhecer, que se sentiu mau, quis sair do local, e assim que passou pelo primeiro degrau da escadaria de saída, levou uma queda machucando se todo, aumentando ainda mais a vergonha de ter ido para aquele lugar. Isso foi apenas o início de uma série de degradações.
Victor foi deitar-se cedo. Logo após a visita de duas de suas amigas que se acharam na obrigação de contar-lhe o que tinha feito no dia anterior, diante das pessoas da festa e do bar que insistentemente quis ir após a festa.
As garotas não tiveram piedade. Enquanto falavam pra ele o que tinha aprontado bêbado, ele tinha duas reações inesperadas. Uma era rir, e seguidamente uma crise de choro. Não sabia mais o que fazer, se rir ou chorar, pois ao mesmo tempo que se achava patético com suas atitudes diante dos outros, achava engraçado o que tinha aprontado. Mas a partir do momento em que passou a insultar as pessoas, não achou mais nenhuma graça. As garotas falaram que ele dizia palavrões em alto e bom som, insultava as pessoas, batia na mesa e as agredia também.
Depois de ter tomado consciência do que tinha feito, não conseguiu mais rir, chorou copiosamente diante das suas amigas e começou a sentir um mal estar como nunca tivera sentido antes em sua vida. Pediu para ir embora e foi.
Quando chegou em seu quarto, foi logo pra cama. Tinha um espelho portátil no criado mudo ao lado. Pertencia a sua mãe. Pegou o espelho e se olhou durante horas. Deixou o espelho aberto, em posição de reflexo para ele mesmo, na mesma altura dos olhos. Via descer uma lagrima quase pulando do olho que estava acima do nariz em posição horizontal. Escutava musica calma e romântica, que o deixava inquieto por dentro e paralisado por fora.
Durante muitas vezes na vida, pensou, perdi as coisas e pessoas mais preciosas que o Ser maior colocou no meu caminho e perdi por vícios. Sempre consumidor de entorpecente, lícitos e ilícitos, Victor gostaria de não culpa-los, mas a interferência sentida no momento crucial é tão forte, que é inevitável não responsabiliza-los. Passara muitos anos de sua vida em processo terapêutico, mas nesse momento de vida, não queria mais salvar nada, queria se salvar, pois afundava mais e mais na sua escuridão.
Nessa noite, os poucos minutos que tivera de sono, conseguiu reter na memória o único sonho que pudera lembrar. Sonhara que estava numa mesa de jantar com mais quatro entidades que não entendia direito o que se processara, mas visualmente tinha a sensação de que tinha mais três sentados a mesma mesa. As auras das entidades rodeavam as mesmas como grandes almas um pouco mais infladas e transparentes. Um dos seres era Jesus, com sua coroa de espinhos e suas chagas aparentes. Vestindo panos como nos retratos pintados pela história, e tinha um olhar calmo. Jesus estava do seu lado esquerdo na mesa. Do seu lado direito estava algo parecido com um demônio, parecia-se muito com um lobo de dentes afiados e sempre atento a Victor na mesa. Sentia-se sempre ameaçado de perder a cabeça perispiritual, pois tal lobo queria abocanha-la de uma só vez. Ao lado do lobo-montro, tinha uma menina loira, sentada.
Acordou de sobressalto as três horas da madrugada, quando o monstro abocanha sua cabeça em sonho.
Não conseguiu mais dormir e a sensação dele agora era de medo, desproteção e solidão. Tremia por dentro pois sabia que tudo aquilo era síndrome de abstinência de bebida e também dos comprimidos que tomara compulsivamente para uma dor física inexistente.
Nessa noite, os poucos minutos que tivera de sono, conseguiu reter na memória o único sonho que pudera lembrar. Sonhara que estava numa mesa de jantar com mais quatro entidades que não entendia direito o que se processara, mas visualmente tinha a sensação de que tinha mais três sentados a mesma mesa. As auras das entidades rodeavam as mesmas como grandes almas um pouco mais infladas e transparentes. Um dos seres era Jesus, com sua coroa de espinhos e suas chagas aparentes. Vestindo panos como nos retratos pintados pela história, e tinha um olhar calmo. Jesus estava do seu lado esquerdo na mesa. Do seu lado direito estava algo parecido com um demônio, parecia-se muito com um lobo de dentes afiados e sempre atento a Victor na mesa. Sentia-se sempre ameaçado de perder a cabeça perispiritual, pois tal lobo queria abocanha-la de uma só vez. Ao lado do lobo-montro, tinha uma menina loira, sentada.
Acordou de sobressalto as três horas da madrugada, quando o monstro abocanha sua cabeça em sonho.
Não conseguiu mais dormir e a sensação dele agora era de medo, desproteção e solidão. Tremia por dentro pois sabia que tudo aquilo era síndrome de abstinência de bebida e também dos comprimidos que tomara compulsivamente para uma dor física inexistente.
Minutos depois, sua vista escurecera. Deitado, achou que era mais uma reação orgânica normal ao seu estado e pensando assim, manteve se calmo. Mas de repente sentiu uma dor muito forte, como um estrangulamento no peito e aos 34 anos, há dois dias do seu aniversario, morre de um ataque cardíaco fulminante, exatamente como seu pai morrera.
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