Haia, filha de Mania e Pinkous, irmã de Tânia e Leia. Nomes estranhos para a terra estranha. A família veio de um lugar muito distante e completamente diferente em todos os aspectos. Ucrânia. Clima, relacionamento interpessoal, perspectivas de vida, tudo era inusitado na nova terra. O motivo por que nascera também era especial. Acreditava-se em sua terra, que as mulheres com alguma enfermidade grave e de difícil possibilidade de cura, ao ficarem grávidas, receberiam uma graça Divina e ficariam boas dos males, como se recebesse uma segunda chance.
Haia nascera nestas condições, e nascera dois meses antes de viajar. Aportaram em Alagoas onde parte da família já tivera chegado. Com muita dificuldade e luta, seu pai conseguiu na época ser um comerciante próspero, já no Recife.
Haia nascera nestas condições, e nascera dois meses antes de viajar. Aportaram em Alagoas onde parte da família já tivera chegado. Com muita dificuldade e luta, seu pai conseguiu na época ser um comerciante próspero, já no Recife.
Nessa época, Haia studava em colégio público, que era de boa qualidade e por sorte, tinha uma amiga de classe que tinha acesso a livros de todas as espécies. Muitos dos livros que lia, eram literatura para adultos, o que as vezes a chocava. Isso lhe deu uma base sólida no que viria no futuro. E ainda bastante jovem começara a escrever. No momento em que aprende a ler e escrever, ela começa a escrever pequenas histórias. Cresceu escrevendo suas sensações do mundo, passadas para o mundo usando uma maquina de escrever e folhas e folhas de papel. Transmitia sempre sensações, muitas vezes dúbias e complexas.
Tornou-se uma bela mulher, alta, sensível e inteligente. Passou a maior parte de sua vida atrás de livros, sem recrimina-los, sem discrimina-los.
Casou-se, teve dois filhos. Teve a oportunidade ainda jovem de viajar por vários cantos do mundo, pois seu marido trabalhava viajando. O que a deixava muitas vezes se sentindo triste e solitária.
Ela sabia muitas coisas, era muito intuitiva e perspicaz. Descobrira inclusive o porque de ser uma mulher atormentada por uma eterna angustia. Tinha consciência das circunstancias e motivos porque nascera, e isso deixou nela uma tremenda seqüela.
Não podia aceitar que falhara, pois a intenção de seus pais ao concebe-la era de que ela viesse ao mundo para curar sua mãe, e ao perde-la aos nove anos de idade, trouxe para si uma enorme culpa. Ao saber os motivos de seu nascimento, passara a maior parte de sua infância se cobrando, como se ela pudesse ser uma criança mágica e fazer algo pela doença da mãe.
Será que ela teve alguém nessa vida que pudesse orienta-la, de que ela poderia se perdoar? Tornar leve o fardo carregado durante toda sua vida? Um fardo de culpa católica é falado e passado de gerações e gerações, e faz parte da educação errônea de muitas crenças. Incutir culpa, para algumas religiões é saudável aos bolsos da igreja. Não as cabeças de nossas crianças.
Tenho certeza da resposta correta hoje. Como um homem que está numa desesperada procura, numa recuperação gradativa de valores por uma vida digna, em busca da fé perdida que a culpa levou para uma terra longínqua.
Haia, na sua tentativa desesperada de salvar a mãe, com a única arma que possuía, as palavras, acabou por passar ao mundo um leque de conhecimento indescritível, que ajudou a milhares de pessoas ao redor do mundo com seus livros que falavam do sentimento humano, mas ao mesmo tempo com um conteúdo angustiado e triste. Haia chamava-se Clarice Lispector. Clarice Lispector chamava-se Haia.
Tornou-se uma bela mulher, alta, sensível e inteligente. Passou a maior parte de sua vida atrás de livros, sem recrimina-los, sem discrimina-los.
Casou-se, teve dois filhos. Teve a oportunidade ainda jovem de viajar por vários cantos do mundo, pois seu marido trabalhava viajando. O que a deixava muitas vezes se sentindo triste e solitária.
Ela sabia muitas coisas, era muito intuitiva e perspicaz. Descobrira inclusive o porque de ser uma mulher atormentada por uma eterna angustia. Tinha consciência das circunstancias e motivos porque nascera, e isso deixou nela uma tremenda seqüela.
Não podia aceitar que falhara, pois a intenção de seus pais ao concebe-la era de que ela viesse ao mundo para curar sua mãe, e ao perde-la aos nove anos de idade, trouxe para si uma enorme culpa. Ao saber os motivos de seu nascimento, passara a maior parte de sua infância se cobrando, como se ela pudesse ser uma criança mágica e fazer algo pela doença da mãe.
Será que ela teve alguém nessa vida que pudesse orienta-la, de que ela poderia se perdoar? Tornar leve o fardo carregado durante toda sua vida? Um fardo de culpa católica é falado e passado de gerações e gerações, e faz parte da educação errônea de muitas crenças. Incutir culpa, para algumas religiões é saudável aos bolsos da igreja. Não as cabeças de nossas crianças.
Tenho certeza da resposta correta hoje. Como um homem que está numa desesperada procura, numa recuperação gradativa de valores por uma vida digna, em busca da fé perdida que a culpa levou para uma terra longínqua.
Haia, na sua tentativa desesperada de salvar a mãe, com a única arma que possuía, as palavras, acabou por passar ao mundo um leque de conhecimento indescritível, que ajudou a milhares de pessoas ao redor do mundo com seus livros que falavam do sentimento humano, mas ao mesmo tempo com um conteúdo angustiado e triste. Haia chamava-se Clarice Lispector. Clarice Lispector chamava-se Haia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário