8 de jun. de 2020

REGREDI

Hoje fez 10 dias sem minha mãe. Passei um dia triste, o dia inteiro dentro de casa, estranho, gente feito cachorro. Com a pandemia, os dias ficam impacientes, nada interessa. Pulei todos os canais de TV disponíveis. Todos filmes e séries. Nenhuma delas descreve minha dor. Você percebeu que a dor, quando é exposta, ela não é mais só sua? Percebo que o sofrimento quando mostrado na ficção, toma uma dimensão gigantesca, mostram com imagens únicas a dor de alguém que nem existe. É só uma ilustração. Mas quando enxergamos de perto, a vida cruel e real, ela se torna um nada barulhento. Só dói em você. As vozes ecoam na sua cabeça, mas elas são só suas.
Como é sofrido e chato viver. É uma vida curta, doente e limitada. No terceiro mundo, esse é o pouco que se descreve da vida. Que termo bem cunhado, não? Terceiro mundo.

Fico curioso em saber o que passa na cabeça de alguém de situação abastada. Não falo de meia sola, de classe média alta. Falo do bilherdario, aquele que senta em um trono de notas de euro enquanto observa num telão o que os pobres passam no jornal noturno. É pra se masturbar de satisfação com o sofrimento do povo? É esse o sentido da vida?
Não concebo crer que existem pessoas que nunca pensaram que sua fortuna acumulada pelo suor de milhões de pessoas que se matam todos os dias. E também não entendo porque o povo não se revela. Vendo seu vizinho Europa esbanjar felicidades com pessoas que se pode chamar de cidadãos. O brasileiro e seu velho sentimento de cão vira lata, que, por sinal, tem mais dignidade do que eu.




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