7 de abr. de 2026

Os mil significados de um fora

Estava no trabalho ainda terminando uma lâmina de apresentação quando o telefone toca. Ficou feliz e surpreso pois sabia de quem se tratava. Logo saberia a verdade do que escolhera pra si, não tinha o que contestar. Mesmo assim a sensação de plenitude tomara uma proporção perfeita dentro do seu coração calejado e não amargo. É como se as esperanças renascessem com a possibilidade de um novo amor.
Quinze minutos após o encerramento do expediente, estava dando os toques finais no trabalho de arquitetura que sua chefe, por sinal muito bonita e gentil, estava preparando para o seu trabalho de graduação.
Ao olhar o display do celular foi perguntado: você não vai atender? Respondendo que não, sabia de quem se tratava. Era um telefonema esperado por ele e esperava tambem que as espectativas que fazia desde a sexta anterior fossem correspondidas, e que tudo caminhasse bem, com tranquilidade.
Saiu educadamente, despedindo-se das pessoas da sala e quase como um esfomeado, sai correndo escada abaixo, pra que saisse logo dali, pegasse sua bicicleta e chegasse em casa pra retornar o telefonema. Até ai, tudo bem, mas estava tão ansioso que não quis tomar banho. Largou a bike num canto, mentiu pra mãe dizendo que estava indo pra casa de uma grande amiga, e finalmente no ônibus, começou sua viagem apaixonada, sua empreitada afetiva.
Milhões de pensamentos de amor ao próximo nasciam dentro dele. Não quis controlá-los, escolheu assim. Mas o instinto de auto preservação estava sempre alertando-o para se cuidar, para não se machucar.
Pensou: "Mas se eu não arriscar, viverei na redoma o resto da vida", e decidiu não se proteger da queda que sentia que iria levar em alguns instantes. Mentiu pra si mesmo consciente e foi. Alef morava numa das principais avenidas do Recife, no maior corredor de ônibus da cidade. Num apartamento espaçoso, ao lado de uma igrejinha na Dantas Barreto, conhecida como uma das ruas mais perigosas da cidade, pelos seus becos escuros e lugares com amontoados de mercadorias dos camelôs que expõem seus produtos no maior camelódromo do mundo.
Ao chegar, seu amado não estava em casa. Fora levar uma amiga na parada do ônibus, mas logo chegou. Dema, como um bom bôbo, já estava com o presente na mão, um dvd com a ultima entrevista de Clarice Lispéctor. Já conhecia um pouco os gostos literários de Alef. Dema logo sentiu uma frieza no ar. Estava certo de que o porvir seria triste e um fora inevitável iria escapulir de boca do... pretendente. Mesmo assim ficou quieto. Fumaram a maconha que Dema trouxera e viajaram.
Para Dema, o clima não era nada confortável, estava na casa do homem que amava o seu amado. Logo fez com que saissem logo dali e fossem para um lugar neutro, um bar. Não queria interferencia externa mas nem precisava. As palavras eram naturalmente veladas na boa de Alef.
Na sua loucura, Dema calou-se.
Escutava atentamente cada palavra proferida, quase nunca intervia. Até a hora em que sua paciencia esgotou e, ao enterrar sua timidez a sete palmos foi direto ao assunto: e nós? o que faremos conosco? - escutou exatamente o que esperava: não existe nós!
Agora com a cara de carvalho velho, levantava-se dos meandros de seu poço infindo. Uma equipe de emergência pre-existente, toda equipada corria para o socorro: cordas, cordas!!
O fora ainda teve alguns requintes de pervercidade. Alef dias antes de encontrar com o outro, teve um reencontro com Ivan, seu marido. Beijos, transas: eu te amo!
E Dema, com a mesma cara de sempre, pois jamais transpareceria para um rato seu estado, lamentava-se sozinho em seu mundo com sua legião de bombeiros e paramédicos internos.
Uma semana depois, ainda chegou a ligar, escutando apenas uma frase fria: to acabando de redigir o contrato da cooperativa!!
Palavras secas, mas esperar o que?
Uma pessoa que pula muro de cemitério para roubar ossos e fazer macumba não pode ser exatamente chamada de centrada, se bem que para quem vive no meio, isso é completamente normal.
O que não é normal é ficar sofrendo de paixão, essa coisa mal resolvida dentro de uma cabeça confusa, achar que uma pessoa comum seja especial.

O Sétimo dia.

Honestamente achei que após o sétimo dia da morte do meu amor, teria um pouco mais de conforto. Talvez ainda acreditasse em coisas que escutava da minha vó quando criança. Segundo crença católica, após o sétimo dia de morte, os reles seres humanos, os que não tem poder algum, ganham de bonus celestial. Um "alívio" do sofrimento impingido pela perda.
Bem, andei contando os minutos depois que soube da morte do meu Anjo. Ninguém em sã consciência quer sofrer pelas perdas e essa balela religiosa de alívio é conversa pra boi dormir. Continuo tentando fazer e levar minha vida como se ele nao tivesse aparecido com seus olhos verdes em minha vida. MAS NAO DÁ. Continuo com meus pensamentos nos momentos bons que tivemos juntos, no amor que fizemos, no companheirismo que tinhamos. Todos os pensamentos, bons ou ruins, todos doem sem pena.
Hoje eu marquei uma sessão de terapia. Saber se estou louco não é meu objetivo principal, pois isso já é público e notório. Talvez seja melhor dar uma lubrificada nos meus processos terapêuticos, para moldar minha mascara, e poder voltar a convivência humana, pois essa não to conseguindo fazer com a maestria de sempre.

Paula e Hichter.

Com uma vida dupla, Hichter enveredava-se pelo caminho da vida, muitas vezes sem pensar no que fazia. Ao mesmo tempo que social e familiarmente, tinha uma vida corretíssima, mas tinha desejos incomuns. Sempre ávido por sexo e drogas que pagava com frequencia e muito bem, pagava pelo silêncio alheio.



Certa vez Hichter estava num bar conversando banalidades com um grande amigo quando sua atenção ficou retida numa figura muito bonita que estava atrinta graus de seu angulo de visão. Não quis se prender muito, pois achava que seria extremamente indelicado se o fizesse, mas mesmo assim, fora do seu controle, os olhos fugiam praquela figura languida e linda. Magra e com porte de modelo, andava elegante tomando toda atenção apra ela. Seria mais uma linda garota, se realmente fosse uma garota. Mesmo assim era uma garota. Foi a primeira vez ele a via, sem chamar a atenção da Paula.



Sim, seu nome era Paula Prabello. Mulher pra poucos e de muitos. Muito inteligente e criativa, tinha um gosto apuradíssimo para as artes, mais especificamente para pintura. Tinha um talento nato e sempre praticava com excelencia sua forma de expressão humana. Gostava de pintar sua cor, sua raça, seus negões esverdeados, black-powers psicodélicos.



Ao final da noite, ninguem falou com ninguem, como num ambiente europeu. Apenas olhares trocados e risinhos nos cantos da boca. Hichter foi se drogar, pegou seu carro e foi embora. Na semana subsequente ambos se reencontram na mesma situação. Paula nao quis sair sem que soubesse que Hichter sabia de sua existencia e fez com que casualmente fosse apresentada. Ele assustado com a cantada inesperada, ficou sem muita ação, mesmo assim consegue interagir com sua interlocutora tão ilustre. Sentia um misto de medo e exitação, sem que demosntrasse. Era extremamente discreto, até porque tinha sua esposa, mãe de filhos lindos, dois meninos. Tinha uma responsabilidade enorme com a família que construira e lutou com incansável garra até chegar aos seus objetivos. Tinha uma casa enorme perto do bar que frequentava, sua bat caverna, seu esconderijo. Também tinha um segredo velado.



Hichter era sempre traído pelo desejo que sentia. Ao acordar, nao pensava mais em sua bela esposa de longos cabelos vermelhos, e sim na morena desconhecida frequentadora do bar. Paula. Nos momentos de lucidez, durante seu dia atarefado, tentava com ardor tirar de alguma forma o pensamento em Paula. Ao desocupar por cinco minutos, rapidamente arrumava algo pra fazer e ocupar sua mente fertil. Era uma fertilidade mental despudorada, lasciva. Transformava sua energia de quarentão em broto adolescente, chegando a ter poluções noturnas. Sua esposa, doce e atenciosa, também nao sentia tanto desejo assim pelo marido, embora o amasse. Pois depois de 20 anos de um casamento perfeito, era completamente comum dar uma puladinha de cerca com o jardineiro.

Sem Palavras

Enquanto escutava uma música e fumava seu cigarro numa das pausas entre um trabalho e outro Flávio tentava esconder nas feições do seu rosto, as lágrimas que estavam prestes a cair. Tudo foi muito rápido e triste. Lágrimas de pesar, pela morte do seu companheiro que perdera três dias antes. Tendo de esconder suas lágrimas de pesar pra esta sociedade hipócrita, chegou a conclusão que homossexuais não ficam viúvos. Chorar a perda do amor, para pessoas que não merecem, nem inspiram confiança no ambiente de trabalho.
No dia 23 de junho às 6:00h da manha, uma respiração agonizante acorda Flávio. Olhou pra cama onde dormia seu companheiro junto a Bruno que, carinhosamente acompanhava seu estado de saúde. Hermano estava com sua boca cheia de uma gosma grossa e branca, dedos roxos e pele arroxeada. Estava inconsciente e duro na cama onde acabara de deitar para descansar da chegada do hospital. De sobressalto ambos levantam para socorrê-lo. Enquanto Bruno vai buscar um taxi, Flavio tenta acordar Mano que não reagia a nenhum estímulo externo. Em um instante Mano volta a si e pergunta: "o que houve?" mas imediatamente volta ao seu estado anterior sendo estas as ultimas palavras que Flávio ouviu do seu amor. Bruno logo após, volta com o taxista e leva o bebezinho, que era como Painho o chamava. "O que houve?" foram as ultimas palavras que Maninho proferiu pro seu Painho antes de entrar em estado grave na UTI.
Mas essa história não começa assim. Hermano Luchezzi tinha um sonho até bastante comum. Na época em que ainda não estava se relacionando com Flávio, morava em São Paulo, e tinha uma vida como todo paulistano saído das entranhas quentes do nordeste. Era formado em Ciência da Computação e trabalhava sol a sol como uma maquina de programar. Tudo que tinha, conseguira sozinho, pois desde os 16 anos de idade tinha como objetivo, melhorar sua situação mais do que ruim. Logo que chegou a Paulicéia desvairada, vivia num lugar onde tinha que diariamente lavar todo o espaço com querosene, para que as pulgas não o comessem vivo. E assim se seguiram os dias.
Estudou bastante e trabalhou como louco. Progrediu na cidade grande, se formou e gradativamente galgou suas coisas com muito esforço. Conseguiu comprar seu apartamento no centro de São Paulo e tinha sua vidinha de pizza nos finais de semana e sexo sem emoção.
Tinha como escape, algo que não posso descrever como uma forma saudável de distração. Maninho era como a Macabéa, uma personagem de Clarice Lispéctor, só que no caso de Mano, deu certo na cidade grande. Tinha milhares de coisas, mas não era feliz. Periodicamente saia com garotos de programa que lhe satisfaziam sexualmente. Como tudo pode acontecer, inclusive a coisa ruim da vida, ele deixou com que acontecesse, por três vezes, o acidente com o látex e com a brutalidade do sexo. Pois foram as três vezes, que esse que vos fala não sabe precisamente como e quando aconteceram, mas aconteceram. Cansado com o estress da cidade e por conta da aceitação da universidade onde estudava, voltou para Recife para começar o seu mestrado.
Exatamente um ano depois da chegada na cidade conheceu Augusto. Se conheceram pela internet, num desses sites de relacionamento. Entravam sempre em contato pelo msn, sempre se falando carinhosamente, atentamente. Eram mentes que se afinavam através de uma rede infinita.
Augusto, um cara simples que tem vida sacrificada e estressada, também tinha o sonho de encontrar um amor. Tinha jornada tripla de trabalho e à noite fazia sua faculdade de Ciência da Computação que pagava sozinho com seu salário minguado.
Mano, ludicamente relatava pra Augusto que no natal de 2007, fez um pedido pra Papai Noel. Pediu-lhe um amor. Foi quando Augusto foi embrulhado para presente cósmico, e DEUS fez com que se cruzassem. Sua inocência pisada e sua miséria particular, não o deixaram ver o mau que carregava em si. Seu processo de aceitação nunca fora trabalhado. Sua racionalidade virginiana fora piorada pela educação sertaneja. Ele tinha vergonha de viver plenamente sua vida, sua sexualidade. Vivia escondido de si mesmo. Se escondera até do que portava.



Aprendeu com as pessoas com quem tinha "amizade" em São Paulo, tudo que é fútil e libidinoso. Tinha um amigo que ele chamava CD. Palavra semelhante com o que nós usamos corriqueiramente para colocarmos no som da sala-de-estar, ou no computador pessoal. Mas nesse caso, "CD" significava "Cross Dressing", nova modalidade sexual a qual o homem veste-se de mulher para sair na rua e arrumar homem. Vivia falando que convivia compessoas que so tinham interesse em conviver com "minha turma" para tomar cervejas gratuitamente. E viva nessa felicidade medíocre de finais de semana solitários, acompanhados por pizza aos domingos e passeio de bike no parque, usando suas malhas apertadas, extremamente femininas.



O primeiro contato entre Hermano e Flávio foi mágico. Após ficarem um bom tempo apenas teclando pelo msn, finalmente se encontraram alguns dias depois do revellion de 2008, logo após a chegada das pequenas férias que Flávio tirou na casa de praia de uma amiga. Marcaram às 8:00 da noite de um sábado quente. Flávio era moreno dos cabelos castanhos escuros, olhos cor de mel, 1:70 de altura, com seus 66 kg. Já Hermano era magrinho, branquelo e loiro. Tinha lindos olhos verdes e raspava completamente os poucos cabelos que lhe restara.


Flavio nao ligava realmente para beleza externa, embora fosse bonito. Não cobrava das pessoas que o redeava coisas futeis, cobrava apenas respeito.




...para que no amor de Deus, um dia eles se encontrem novamente. Em nome do Pai, do Filho, e do Espírto Santo, Amem.

Primeiros Passos

Ontem um dos meus bons amigos me emprestou um livro da Clarice Lispector. Chama-se “Uma aprendizagem ou Livro dos Prazeres”. Esse será o primeiro livro de Clarice que lerei, depois de me apaixonar pelos seus contos. É muito interessante. O livro começa por uma virgula e desata-se a falar interminavelmente, de forma truncada, que se você não prestar atenção, não consegue ler.
Ainda estou bem no começo. Estou me sentindo como a menina do conto “Felicidade Clandestina”, sem a sardenta maligna da história. E sim com a felicidade em que a menina loira e achatada foi pra casa assim que estava com o livro na mão (As reinações de Narizinho – Monteiro Lobato). A loirinha descreve sua felicidade, o quanto estava regrando o prazer de ler o livro para que a felicidade durasse. Às vezes lia apenas uma frase para economizar, escondia para ter o prazer de acha-lo. Lindo conto.
Não comecei também porque tenho tido uma vida boêmia muito intensa. Ontem ao pegar o livro, tive um pequeno encontro com amigos. Estávamos eu, Rickye e Bosco. Tivemos conversas sobre vários assuntos, regados por cerveja, mas eu, como estou de dieta rígida, estava bebendo Wisky.
Interessante para mim é como estou mudando alguns hábitos antigos. Sempre fui chegada a cerveja mas para não ficar gordo, passei a beber o wisky, e só estou sentindo as vantagens dessa bebida, já que gosto e me solto mais socialmente.
Sei que hoje terei que ir a casa da Grace após meu horário de trabalho.

URETRA FINA E LONGA

Agora

CORRER...FICAR

Agora os fluidos não têm o direito de fluir como antes. Perderam seu estatus. Esses que precisam fluir agora esbarram em barreiras de latex, que as vezes são texturizadas, outras, coloridas, outras são barreiras insípidas. São eficientes ao cuidar do amor, desempenham sua função.
E no rumo da história da humanidade, aparece como necessidade básica, a colocação, a inclusão de tal borracha na relação sexual, que como uma segunda pele, nos protege da exposição as doenças.
Contrapontos, Deus e a camisinha, mandam no pedaço, protegendo e expondo os seres que habitam no planeta.

PRA NINGUÉM IMPORTANTE

....
Quando você souber que pode
Quando souber sorrir do umbigo
Souber que também pode ser amigo
O que é chato ou aliado
Vai poder sorrir até de si próprio
Conversar sobre qualquer colóquio
Achar o ouro perdido
Dentro de casa
No bar da esquina
Com ciume do carnaval
Falando da família, do amigo
Correndo perigo, sei que sigo
No conforto do braço
....
(Autor desconhecido)

19 de nov. de 2025

O HOMEM E SEU PACOTE

 não é porque é homem que nao os possa carregar. Existem homens incapazes de carregar a bolsa da propria mulher porque tem vergonha, porque se importa com a opinião alheia e vão lhe chamar de veado. Existem homens que levam, durante anos, um pacote emocional pesado. Não elaboram seus proprios problemas e, cheio, transborda no primeiro homem que encontra. Existe homens que elaboram pacotes anti-crime, que criminaliza a propria policia. Existe homem que vive para embalar pacotes, precisam trabalhar. Tem homem que tem um baita pacote, enquanto outro sofrem com o que tem.

Existe os homens que embalam, os que carregam, os que enchem pacotes.

Existe homem que não vale um pacote de merda. Mas existem mulheres também. Exitem pacotes perigosos, os que o Unabomber enviou é um exemplo.

Exite um pacote chamado politico, cheguei, com minha ingenuidade a acreditar num deles. Foi um dos maiores erros que cometi nessa area. Acreditei que era um pacote de outro, mas era feito de merda. Veio do Partido Democrático Trabalhista. Peço até perdão ao Pai Lulinha.


16 de nov. de 2025

SUA HETEROSSEXUALIDADE

Outro dia, conversando pelo msn, perguntei a um bom amigo se era bom ser heterossexual. Ele não respondeu, apenas vi impresso na tela, na caixa de diálogo do msn, a repetição de Kas que significa gargalhada. Ele deve se debulhar em alegria pela sua heterosseuxalidade pelo que entendi, ou então somente me fez pensar que sou bobo, que não existe isso pelo menos no mundo dele, que significa um mundo feito por Deus e que esse nos fez perfeitos, sendo assim ele não acreditaria na minha homossexualidade, aliás, não é uma questão de não acreditar, apenas utopicamente, no mundo divino que ele escolheu não existem homossexuais. No meu mundo, essa diferença é gritante. Saber que quando dou as costas no trabalho e alguém sempre terá um comentário maldoso a fazer, é apenas uma das milhares atrocidades que podem ser feitas por um ser humano dito normal. As piores encontram-se nos jornais, quando a cada instante calculado, se tem a noticia de que se matou um homossexual. Ups, já estou extremamente ultrapassado, pois isso não mais notícia. É mais fácil falar no jornal sobre a matança de chinchilas no pólo norte ou no pré-sal. Afinal homossexual só pensa em sexo mesmo! Não, acho que não. O engano vem na verdade das pessoas que nunca pararam pra saber o que se passa na cabeça de um homossexual. Claro que eles pensam em sexo, mas o que os faz diferentes de pai de família? De um trabalhador comum? A resposta é: nada. Muitos deles são pais de família e trabalhadores comuns, iguais a mim e a você. Pagam impostos e têm os mesmos direitos que você, que ricamente esta sentado numa cadeira em frente a um computador, a única maneira de ler o que escrevo. Quando algum heterossexual passa a ser amigo de um gay, certamente esse nunca iria imaginar que esse amigo transa e goza, como qualquer ser humano. Eles certamente te vêm como eunucos, seres assexuados. Eu tive a vida mais heterossexual dos homossexuais. Disproví-me de sexo abusivo, como exemplo da sexualidade da minha mãe. Não escolhi a promiscuidade desvairada da veadagem. Mas minha escolha me fez ser diferente dos outros humanos. Não me encaixei na vida dos homos, não me encaixei na vida dos heteros, não me encaixei na vida de ninguém que não se assemelhasse a mim, um estranho completo de olhar feminino e penetrante, que assusta os homens, que se entrega às mulheres e que é chacota de todos os seres. Só os cães gostam verdadeiramente de mim. Existe sempre um animal inscrito, como se fosse um grande jogo de bicho.

A DESPEDIDA

 OI


Finalmente, chegou o dia. Hoje me diagnostiquei com uma doença que neguei durante toda minha vida tacanha. Depois de anos de cigarros e maconha hj tomei a consciência que estou com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, se nao for o enfisema) e é assim que começo essa historia. pra explicar melhor, cheguei aqui porque ja fui tudo na vida. ja fui pedreiro, ja fui cientista, ja fui ate bonito. nunca me prostituí. sempre tive medo de consequencias, e isso posso dizer, fui medroso. acho que isso me manteve vivo ate os 54. 




Dia normal. Dia de trabalhar, de arrumar a casa, de colher os cacos de porcelana do cinzeiro quebrado na noite passada sem querer. E pensar. 



A VERDADEIRA HISTÓRIA DE D. DANADINHA

..não parecia uma velha doce, aparentava ser seca como a terra rachada de sua região, forte, dura e imbatível. Era também uma mulher pequena, de cabelos longos prateados pelo tempo, uma daquelas mulheres atarracadas que usam saia azul marinho desbotada por água sanitária e manchadas de sangue de galinha abatida.
Veio parar em Recife porque precisava de cirurgia na perna, era uma velha sozinha. Em sua cidade, Riacho Fino, era famosa por sua criação de galinhas de capoeira, galinhas gordinhas que ela carinhosamente dava nomes como Adeílda, Verbênia e Maria Chica.
Só Danadinha era danadinha, ninguém do seu grupo de velhas amigas era assim. Era a única impetuosa, que sempre estava a frente dos eventos religiosos, junto com padre Pio e todas as velhinhas de Riacho.
Quando perguntavam sobre seu marido ela sempre dizia com espanto humilde: "Sei não, oxe!"
Mas ela sabia sim, sabia que era uma pergunta de maldade retórica, pois ele tinha morrido numa dor no bucho, por viver bêbado. Seu único filho fora pra São Paulo bastante novo, foi embora com a revolta no coração de quem espera mais da vida e imagina que se alcança esse objetivo acumulando dinheiro. Ela sofreu calada o abandono do filho. Nunca vinha em Riacho, enviava cartas pra mãe porque era mais barato, e morava num quarto cheio de pulgas em Itapevi. Ele odiava Riacho Fino, a cidade espinha de peixe.
O marido era um homem grande, de mãos calejadas e cabelo crespo. Vivia no bar de Zé, tomando cachaça e apostando em rinha de galo. Só chegava bêbado e com dois tões no bolso, um saco de pão amassado e um cigarro fedorento. Assim foi desde jovem e ela aceitava ele dessa forma.
Amor? Não, nessa realidade amor é luxo, é algo fútil, que nem se imagina existir no sertão, onde existem outras prioridades. Eles tinham um companheirismo chato, que compartilhava uma caneca de café novo e depois, só sobrou o: "mulher? Cadê o cumê?" Até o dia que caiu na roça e ficou lá mesmo, junto do pé de milho seco.
Ninguém sabia, mas seu nome era Lindelmira Aparecida da Silva, conhecida como D. Danadinha porque era serelepe e sorridente. Faltava-lhe um dente na frente, mas isso não a incomodava mais, sua vaidade acabará no dia que Reginaldo nasceu.
Incomodo não é pra fortes como ela. Lutou até o último dia.
E foi lavando roupa que Danadinha quebrou a perna, estava na pedra grande na beira do Rio Fino. No movimento brusco de bater a roupa e o sabão espalhado na pedra grande, escorrega D. Lindelmira que quebra a perna perto do joelho. Com a idade que estava, todos os médico tinham medo de fazer cirurgia. Foi levada na ambulância de Riacho pra Recife, chacoalhando na estrada de areia, cheia de buracos. Cada solavanco a perna doía e ela gritava. Ainda passou dez dias sem operar, ela que lute.
Era dura, aguentava sofrer. Aquilo pra ela era nada. Não era nordestina por acaso. Ela luta. Se fosse aquelas mulheres de São Paulo, não teriam a fibra dela, aquelas dondocas que ficam na internet maquiadas, dizendo que nordestino é bicho e pode morrer, pois não vai fazer falta. Nordestino luta.
Ficou internada na Santa Casa de Recife com mais sete senhoras, cada uma com um acompanhante, menos uma magrinha com cara de gentil.
Reginaldo, o filho, soube que ela estava internada e mandou uma cuidadora pra olhar sua mãe, mas mandou uma mulher que não conhecia. Ela se importava mais com a rede social do que com o bem estar de D. Danada, só tinha olhos pra tela.
De repente, após a cirurgia tão aguardada, essa que iria aliviar seu sofrimento, mostra como age o destino e a respiração de D. Danadinha fica ofegante, nem tinha força no pescoço pra manter a cabeça em pé. Mas a moça continuava com olhos no celular. Essa pisada continuou por duas horas.
Chegou a hora da ronda das enfermeiras, foi quando a velha teve assistência. Essa volta pro ponto de apoio correndo e já volta com mais duas enfermeiras com equipamentos. Mais duas chegaram com monitor cardíaco e o desfibrilador. Lentamente tudo foi se instalando enquanto ela recebia a massagem cardíaca. O coração da danada, agora, só batia quando a enfermeira massageava. Ficaram quarenta minutos tentando fazer Lindelmira voltar, mas ela já tinha pego o bonde branco. Não precisou de biombo pra as outras senhorinhas não vissem o que estava acontecendo. Só os equipamentos ficaram a mostra e não mostravam algo promissor.
Nesse momento se realiza algo que muitos desejam, mais uma vida nordestina se esvaindo. Agora vivemos num país onde existem gays fascistas, negros racistas, pobre defendendo corrupto, enganado pelo discurso deturpado. Vivemos num país onde Flávio Migliaccio se suicidou, porque não é pais para velhos, nem para pobres, nem para aleijados.
Seja bem vindo a um país onde a mentira é a alma do negócio, onde a frase do momento é: "E daí? pra comemorar dez mil mortos. Dez mil mortos? Pois é, somente uma estatística.
D. Danadinha saiu da enfermaria numa maca de metal frio, com cobertura de aço inoxidável em formado sextavado. Ela esfregou seu miserável futuro na cara de todas as velhas, ela, cruelmente mostrou a que viemos, logo ela que tinha tanta fé.
Nesse país não é liberado morrer vendo os passarinhos, sentada na pedra debaixo da árvore do dia morno e o bucho cheio d'água. Quando isso acontece a polícia te interroga pra saber porque você não foi levado pro hospital. Você é obrigado a pagar pelo seu caixão logo após pagar a conta do hospital.

O LIVRO DO FINAL

 .. então uma bruma de ódio paira entre os Spinelli. A familia tinha crescido demais, so de netos, Eulália tinha dezenove. Cada um deles tomou seu destino

7 de jul. de 2023

O AFASTAMENTO DO DIVINO

Comecei a desconfiar a utilidade de ter um Deus. Tem gente que tem o deus católico, outros tem um deus africano, outros tem um deus nórdico. Eu nao tenho esse problema. Mas comecei a desconfiar porque a necessidade inexorável de se ter uma crença, de ter um ser divino em sua mente.
Coisas acontecem todos os dias, praticamente o tempo todo.  Estamos expostos aos interperes da vida. As vezes por pior que seja, o acontecimento inevitável se apresenta, e da forma que sabemos, podemos ter essa ou aquela atitude pra mitigar as consequências. Todas as vezes que observo essa ação, paro e concluo: "o destino agiu", mas sempre observo tambem que, quem passou pela situação, depois de varias pessoas ajudarem, depois que a policia chegou, depois de qualquer que seja, essa pessoa solta um bom e sonoro "graças a deus!"
Lembro de ter visto em um documentario do Discovery Channel que falava sobre física, que Albert Einstein, questinado sobre deus, relata que acreditava no Deus de Espinoza. Essa foi a unica vez que me ative a uma afirmação sobre o assunto.

Quando perguntaram a Einstein se ele acreditava em Deus, ele respondeu: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

14 de dez. de 2022

AS VÁRIAS FACES DA DOR

 Comecei cedo. Comecei a sentir dor antes de saber o que era. Hoje, depois de tantos anos assisti, de Vitorio de Cica, o filme Ladrões de Bicicleta. Eu lamentei tanto tempo que deixei passar, pra me deparar com um dos filmes mais belos que ja tive o prazer de ver. Me deparei comigo mesmo, com as camadas de pureza que foram sendo tiradas de mim no decorrer do tempo. Lentamente, camada por camada de ingenuidade foi retirada, com a lentidão que fazia com que a dor fosse quase permanente, quase juntando uma na outra, biograficamente cruel. No filme de Vitorio você encontra o relacionamento de uma família, com uma Itália do pós guerra e as interações com vida. A falta de oportunidade e a busca por ela, as dificuldades que a pobreza oferece. O filme não poderia ter outra família, outra criança, outro pai ou mãe. Todos são retratados com a crueldade da realidade de uma Itália sofrida de 1948, sendo reconstruída após segunda guerra.

De repente você se depara com uma mensagem antiga, de 27 de novembro de 2022, essa não vista, vinda de uma pessoa que já foi amiga, então, estranha-se a mensagem da pessoa que te odeia. De dor em dor a vida se encarrega de te dragar pro fundo do poço. Dessa vez a vida me presenteou com algo completamente absurdo e obviamente, por pior que seja a pessoa, nao se deve pensar mal de pessoas. Essa pessoa especificamente ja arrastava uma saúde ruim pelos últimos anos, mas ela relata e envia uma foto do acontecido. Ela perdeu ambas as pernas por negligencia própria

Nesse país, que acabou de pular a fogueira do fascismo e destruição total das instituições, as condições de vida pioraram muito, principalmente nos ultimos quatro anos, onde um psicopata entrou no poder e ate hoje com um país governado por uma equipe competente, sente dificuldade de sair desse buraco negro chamado Bozzonarismo. Hoje temos uma situação análoga ao pós guerra, com mais de três milhoes de pessoas passando fome diariamente. Tudo se deteriorou por uma ideologia burra.

3 de jul. de 2021

REVIRANDO FOTOS E OLHOS

Coisas inusitadas acontecem, mesmo quando não esperamos, as vezes boas nem sempre ruins, embora esteja no Brasil e como de costume, sempre esperando o pior. Mas dessa vez não foi ruim, apenas a consequência foi ruim, mas você vai entender melhor no final. 
Através de um post no twitter sobre o falecimento de mamãe, um repórter de um jornal do sul, que fazia um levantamento sobre os hospitais públicos no país, me procurou pra uma entrevista. Achei inusitado. Foi legal. Foi diferente. Foi um rapaz gentil e aparentemente atencioso. Curioso e com perguntas pertinentes. Passamos bastante tempo ao telefone e eu pude descrever os acontecidos durante o início da pandemia de coronavirus no país. Percebi que exorcisei alguns demônios enquanto falava. Terminamos a entrevista e pouco tempo depois iniciei meu expediente de trabalho. Não pensei mais no evento. Mas ao término do expediente tive de me deparar com meu cansaço, comigo mesmo, acabei triste. Revirando fotos e olhos.

2 de jul. de 2021

A CHUVA DE 11 DE ABRIL DE 2021

 Depois de uma bolada em dinheiro pra  reparar o telhado, pensando em nao mais ter agua entrando na casa, uma chuva com ímpetos de diluvio caiu no Recife, causando um problema geral, não so em minha casa mas em toda a cidade.

15 de jun. de 2021

ATÉ A DIGNIDADE

Hoje é dia 15 de junho de 2021, mas preferia que não fosse. Nós brasileiros mereceríamos uma segunda chance, uma mágica, capaz de voltar no tempo e desfazer essa avalanche de crueldades impostas por um governo inútil, para que o próprio brasileiro, emburrecido e enganado, pudesse desfazer algumas de suas atitudes. 
Hoje vendo o jornal, pude identificar exatamente esse ponto, onde tudo começou, onde acabamos de chegar. Falo de uma inapetência completa da máquina pública federal. Então o jornal mostra a velha baiana com queimaduras nas pernas por causa de álcool usado pra cozinhar. Em palavras ela relata: "um vidro de álcool pode durar uma semana cozinhando de pouquinho" ela olha pra cara rica e gorda do repórter com uma consciência zonza e olhar amassado, mas com uma honestidade afiada e cortante. Sua miséria estava estampada num rosto negro de velha, onde só se via duas cores: o preto da pele, o branco da roupa. E foi exatamente nesse contraste gritante que vi que hoje que a palavra dignidade foi arrancada do dicionário português brasileiro. É tão triste e estranho que nem a ficção absurda descreve. Também vi com olhos tristes no jornal noturno, o exemplo mais latente do significado de uma frase popular "boi de piranha". Foi na CPI da covid um cara contratado pra falar mentiras e tirar o foco das investigações. Algo pensado por mentes maléficas.

9 de fev. de 2021

POR VOLTA DE 200 MIL MORTOS.. E MAIS UM

Morte é uma das palavras mais fortes que conheço. Ela é formal, dura, triste, ela dá medo. A cada minuto nesse país temos mais um morto. São tantos que o ser humano tende a ler como um número, não como o ente familiar. Pra completar, a região norte está sem oxigênio, pessoas caem mortas em grande quantidade, nos deixando aquela angustia que não sai do peito. 
Perdi minha mãe no início da pandemia. Eu sei o que cada um desses familiares estão passando. E essa dor nao passa. Esse mais um sou eu.
Tentando deixar um pouco de lado essa dor, tento me distrair me aglomerando. Vou semanalmente pra minha sentença de morte. Encho o quengo de álcool, beijo e abraço as pessoas como se não houvesse amanhã. Não abri mão de mim mesmo, apenas tenho a impressão que a vida não existe mais e como uma boa alma, mesmo que penada, saio.
Uma noite quando estava numa dessas farras eu quis ir embora e chamei um carro pelo Uber, até ai sem novidades, mas como minha mania de sempre não pode calar, iniciei uma conversa amigável com o motorista. Seu nome era João. Tão João quanto os outros. Rapaz normal, jovem com seus 32 anos, bonito, branco, cabeça raspada que, durante a conversa, sinto uma leve batida na perna quando passava a marcha. Quando estávamos chegando, pedi seu numero de telefone, lembro que estava com a bexiga cheia e entrei correndo em casa assim que ele chegou na minha porta. Pelo whatsapp verifico que ele estava online e perguntei onde ele estava. Ele estava estacionado na esquina de casa e depois de aliviado, fui até a rua onde confirmo que ele estava lá. Ainda bêbado, me atrevi de chegar ao lado do carro e perguntar se ele queria companhia até chegar uma corrida. Ele gentilmente abriu a porta pra mim e ainda ficamos um tempo no carro, mas nada de corrida, foi quando perguntei se ele queria entrar. Não vi nenhuma hesitação. Ele estaciona o carro na frente se casa e entra. Ali nasceu algo que eu não identifiquei. Mas sentia que era algo bom, mas não pra mim. Deixei os dias passarem, deixei ele ficar e ficar. Ajudei ele com que pude, comecei a ter vida de casado, mesmo sem saber o que era aquilo. Só sabia que era bom. O que nascesse seria no mínimo uma amizade. Mas as voltas que o mundo dá não são como as voltas que vc planeja, o mundo tem seus planos e você não foi incluído.
Vi a situação insustentável novamente em minha vida, foi a mesma história que repito frequentemente, aquela em que jogo meu juízo pela janela e quebro meu próprio coração. Só que dessa vez agi um pouco diferente. Sabia que se eu abrisse meu coração ele não suportaria e iria embora. E assim o fiz, e assim o fez. Uma das ultimas palavras ditas foi que seremos amigos. Mas vejo suas postagens todos os dias, me dói todos os dias, tenho raiva todos os dias. Pelo menos essa raiva ajuda a cura, fico triste mas vou me curando. Vou me curando da dor da perda dele, e consequentemente da dor maior, perder minha mãe.
Foram incontáveis as vezes que que morri em vida. Tentei todas as vezes manter o que sentia, mas nunca durou, parece uma macumba eterna. Mas como eu morri, talvez eu tenha mais sorte no reino dos mortos.

30 de dez. de 2020

RETRÔ 2020

Nossa, que absurdo! Não posso iniciar de outra forma. Esse ano já iniciou atravessado, desgovernado por aquele que, dizer o nome, faz mal. Pois é, parece que emergiu de um limbo, uma manifestação/infestação de idiotas, dentro e fora da ficção. Nunca se foi dita tanta merda, tanta falta de respeito pelas ciências, o negacionismo, o racismo, o feminicidio, tudo isso concentrado num discurso de extrema direita tupiniquim.
Foi um ano que se viu violência, que acontece além de uma pandemia sem precedentes, além de um presidente ineficiente, um povo demente e uma tristeza incontinente.
Você perdeu alguém esse ano? Eu perdi. Foi chamado de comunista? De velho? De viado? Enfim, depois do início de governo desse nécio que ainda se sustenta no poder, dezenas de pessoas de baixo nível de consciência em todos os níveis parece ganhar um lugar significativo na convivência humana. Algo que jamais teria que acontecer, mas aconteceu. Aconteceu ruim, egoísta, pequeno, imperativo e ainda tem o apoio dos religiosos hipócritas.
Soltaram bombas em tom de ameaça em cima do congresso nacional. Temos um rotundo ministro da saúde que além de inapto, tem um sério problema extremista de direita. Genocida igual ao patrão. Sei que esse número muda bastante com o tempo mas a pandemia já levou 200.000 pessoas. Não tenho que salientar que ambos, tanto o presidente quando o ministro da saúde foram os responsáveis pela morte de todas essas pessoas, com atitudes negacionistas, apologia a drogas ineficientes como a cloroquina e abstenção da máscara.
Mas chegamos ao final do ano, os que sobraram vivos até agora vêm uma luz no fim do túnel, a vacina. Como estamos no país dos ineficientes esse túnel ficou mais longo. Talvez em fevereiro de 2021 chegaremos a ela. E o que nos resta? Ter esperança? Chegaremos lá?

Os mil significados de um fora

Estava no trabalho ainda terminando uma lâmina de apresentação quando o telefone toca. Ficou feliz e surpreso pois sabia de quem se tratava....